Mindfulness e bem-estar mental: parte 2

Uma mulher a sorrir, de olhos fechados, em frente a um lago com carpas koi

O mindfulness tem sido incorporado em várias intervenções psicológicas, quer como componente única, quer como componente central da intervenção. Um conjunto de estudos tem analisado os efeitos do mindfulness na saúde psicológica e sugerido que o treino de mindfulness está associado a efeitos psicológicos positivos, incluindo um maior bem-estar subjetivo e mais estados emocionais positivos, menos stress, uma melhor regulação do comportamento e níveis mais baixos de ruminação (andar sempre às voltas com os mesmos pensamentos, o que tende a piorar o humor) (Brown & Ryan, 2003; Keng, Smoski, & Robins, 2011; Williams, 2008).

Mas como é que funciona?

As intervenções baseadas em mindfulness procuram ajudar as pessoas a tomar maior consciência dos seus pensamentos, emoções e sensações corporais, e a relacionar-se com eles de outra forma. Através da prática de mindfulness, as pessoas são incentivadas a reconhecer e a aceitar o desconforto das emoções negativas, a distanciar-se dos pensamentos negativos e a desligar-se de processos pouco úteis (como a ruminação), redirecionando a atenção para o momento presente. Uma série de estudos tem demonstrado a associação positiva entre a prática de mindfulness e a capacidade de largar os pensamentos negativos (ou seja, mais prática de mindfulness está associada a uma maior capacidade de deixar ir os pensamentos negativos) (Frewen, Evans, Maraj, Dozois, & Partridge, 2008).

Porque é que não posso simplesmente deixar-me levar pelos meus pensamentos?

Bem, pode, mas é provável que isso só aumente o sofrimento emocional. Imagine que está em baixo porque foi a uma entrevista de emprego, mas não lhe ofereceram o lugar. Compreensivelmente, pode sentir desilusão e tristeza (estas são as suas emoções primárias, porque decorrem das circunstâncias em que se encontra). No entanto, começa depois a envolver-se (sem dar por isso) numa corrente de pensamentos negativos, como «Sou mesmo um fracasso», «Comigo as coisas são sempre tão difíceis», «Toda a gente consegue o emprego que quer, menos eu», etc. Se se deixar levar por estes pensamentos, acreditando neles e agindo como se fossem verdadeiros, é muito provável que sinta outra corrente de emoções — talvez raiva, vergonha ou inveja. Estas são emoções secundárias, porque não estão necessariamente relacionadas com as suas circunstâncias concretas (não ter conseguido o emprego que queria), mas sim com os seus pensamentos negativos sobre essas circunstâncias. É como se estivesse a acrescentar «camadas de emoções» que se vão acumulando e, ao fazê-lo, o seu sofrimento emocional só aumenta. Como pode concluir, as emoções primárias que sentiu nesta situação eram justificadas e, até certo ponto, inevitáveis, porque faz parte da condição humana sentir emoções negativas quando há uma distância entre aquilo que queremos e aquilo que obtemos; já as emoções secundárias eram menos justificadas e mais fáceis de evitar, porque resultavam da nossa relutância e dificuldade em relacionarmo-nos com compaixão com a nossa própria dor.

Ao trazer a consciência para o momento presente, o mindfulness promove a nossa capacidade de reconhecer os nossos pensamentos e emoções, de nos relacionarmos com eles e connosco próprios de forma gentil e sem julgamento, e de deixarmos de acrescentar essas camadas extra de emoções negativas, reduzindo assim o sofrimento emocional. Não é possível passar pela vida sem dor (porque ela faz parte de ser humano), mas é possível passar pela vida sem sofrimento.

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