O que é a procrastinação e porque o fazemos?

Uma mulher sentada a uma secretária com um portátil, com o queixo apoiado na mão e o olhar perdido

Começo com uma confissão: há muito tempo que queria escrever um artigo sobre procrastinação, mas fui adiando… por isso, ironicamente, tenho andado a procrastinar sobre a procrastinação.

O que é a procrastinação?

Procrastinar é adiar ou não concluir uma determinada tarefa e, em vez disso, ocupar-se de outra menos importante, apesar de ter consciência das possíveis consequências negativas de não levar a tarefa original até ao fim.

É um comportamento bastante comum em muitas pessoas e é frequentemente confundido com preguiça. As pessoas podem procrastinar em relação a várias coisas, incluindo o trabalho ou os estudos (por exemplo, cumprir um prazo), a casa (por exemplo, fazer as tarefas domésticas), as finanças (por exemplo, fazer um orçamento), a saúde (por exemplo, ir ao ginásio) ou até as relações (por exemplo, telefonar a um amigo). A maioria das pessoas acaba por enfrentar e realizar as tarefas que tem de fazer. Por vezes, porém, a procrastinação pode tornar-se mais problemática e impedir as pessoas de atingirem os seus objetivos e, em última análise, de terem uma vida boa.

Como é que as pessoas procrastinam?

Como referi, as pessoas procrastinam quando substituem uma tarefa importante por outra que não é prioritária naquele momento (atividade de procrastinação). Esta atividade de procrastinação pode ser agradável (por exemplo, navegar na internet, ver Netflix, ouvir música) ou simplesmente uma tarefa menos prioritária (por exemplo, arrumar). Tive uma cliente que trabalhava a partir de casa e cuja casa ficava impecável sempre que tinha um prazo para cumprir, porque, nesse momento, limpar e arrumar parecia mais apelativo do que avançar com a tarefa que era, de facto, a prioridade!

Antes de continuar a ler, pense nas atividades de procrastinação a que possa recorrer. Durante uma tarefa, pode colocar-se a seguinte pergunta: «Estou a fazer a tarefa que preciso de fazer neste momento?». Se a resposta for «sim», continue; se a resposta for «não», é possível que esteja a procrastinar e talvez valha a pena repensar as coisas. Lembre-se de que não há problema em fazer pausas em tarefas mais difíceis ou mais longas; estas só se tornam um problema quando são feitas à custa de não concluir as tarefas prioritárias.

Se perceber que tem andado a procrastinar, isso pode gerar algumas emoções desconfortáveis, como culpa por não ter feito o que devia. Para atenuar essas emoções, pode recorrer a desculpas de procrastinação para justificar ter adiado a sua tarefa prioritária e, em vez disso, ter-se dedicado a uma atividade de procrastinação. Estas desculpas podem assumir diferentes formas:

«Faço amanhã, agora não tenho energia»

«Faço quando tiver vontade!»

«Ainda tenho muito tempo, posso fazer mais tarde»

«Agora não tenho tempo»

Mais uma vez, pense no seu próprio diálogo interno e nas suas próprias desculpas de procrastinação.

Porque é que as pessoas procrastinam?

As razões pelas quais as pessoas procrastinam são sobretudo internas — têm a ver com os seus próprios pensamentos e crenças pouco úteis. Seguem-se algumas crenças frequentemente associadas à procrastinação:

  • Expectativas irrealistas. As pessoas que procrastinam têm muitas vezes uma visão irrealista sobre o modo como funciona uma pessoa produtiva e podem assumir (erradamente) que as pessoas bem-sucedidas se sentem sempre confiantes e alcançam o sucesso com facilidade, sem passar por frustrações. Este modelo de sucesso é simplesmente irrealista; a realidade é que as pessoas produtivas também encontram obstáculos, mas comprometem-se a ultrapassá-los. Pelo contrário, quem procrastina tem mais probabilidade de ter uma baixa tolerância à frustração e de encarar as desilusões ou os obstáculos como insuportáveis.

  • Medo do fracasso ou da desaprovação. Algumas pessoas exigem muito de si próprias para atingirem um nível de desempenho muito elevado, e o sucesso pode ser excessivamente importante para elas. Podem temer não estar à altura desses padrões e prever que vão falhar ou que alguém as vai julgar negativamente, o que as pode fazer sentir ansiosas ou envergonhadas. Em vez de arriscarem falhar e de terem de enfrentar essas emoções desconfortáveis, podem acabar por não fazer nada (afinal, ninguém pode falhar nem ser julgado negativamente numa tarefa que nunca chegou a começar!).

  • Falta de assertividade. Muitas pessoas procrastinam porque aceitaram fazer coisas que, na verdade, não queriam fazer, mas não se sentiram capazes de dizer «não». Assim, a procrastinação é um pouco como fazer greve.

  • Baixa autoconfiança. Algumas pessoas podem não confiar nas suas capacidades e acreditar, à partida, que «se tentar, não vou conseguir e as minhas falhas vão ficar à vista». Esta falta de autoconfiança e de crença em si próprias pode levar a sentimentos negativos sobre si mesmas. Ao evitar tarefas novas ou desafiantes (procrastinando), a pessoa consegue assim evitar ter de lidar com as suas falhas e insuficiências percebidas.

  • Crença de que a motivação vem antes da ação. Muitas pessoas acreditam que precisam de se sentir motivadas para se dedicarem a uma tarefa, ou seja, acreditam que primeiro vem a motivação e depois a ação. O problema é que, se esperar até estar com disposição para fazer uma tarefa que não é particularmente agradável, pode acabar por nunca a fazer, porque é pouco provável que, de forma espontânea, «lhe apeteça» fazer tarefas aborrecidas ou desagradáveis. A realidade é que, depois de começar, vai ter mais vontade de a fazer. Por outras palavras, a ação pode levar à motivação e, depois, a mais ação.

  • Procura de prazer. Algumas pessoas podem ter necessidade de gratificação imediata e dificuldade em dedicar-se a tarefas que consideram aborrecidas. Assim, perante uma tarefa pouco interessante (o que pode ser diferente de pessoa para pessoa), sentem frustração e tédio e podem usar a procrastinação como forma de reduzir essas emoções e de procurar prazer.

Agora é a sua vez: se deu por si a procrastinar, que crenças ou obstáculos mentais (como os descritos acima) poderão ter estado, sem que desse por isso, por detrás da sua procrastinação? Que impacto teve a procrastinação no seu trabalho, na sua saúde e nas suas relações? Que estratégias usou para a ultrapassar? Como resultaram essas estratégias para si?

Se acha que a procrastinação tem tido consequências negativas na sua vida, não hesite em entrar em contacto para uma consulta gratuita.

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